sábado, 15 de junho de 2013
sexta-feira, 14 de junho de 2013
domingo, 16 de dezembro de 2012
CASA
Os retratos
guardam e vigiam
os teus passos,
Os retratos
guardam e vigiam
os teus passos,
e os gritos das crianças
correndo desenfreadas
em suas paredes ficaram registrados.
No vasto avarandado
as mesmas redes descansam
sob a prosa do crepúsculo
e janelas de um tempo adormecido
espiam um quintal lúdico
e seus arrabaldes...
E a solidão dos dias frios e chuvosos
sempre será compartilhada
por mãos trêmulas
que bordam agasalhos
suspiram saudades...
MÁRIO MASSARI
"Achados e guardados" - 2002
Tela: "Mulher costura na frente de sua casa", de Claude Joseph Bail (1862-1921)
correndo desenfreadas
em suas paredes ficaram registrados.
No vasto avarandado
as mesmas redes descansam
sob a prosa do crepúsculo
e janelas de um tempo adormecido
espiam um quintal lúdico
e seus arrabaldes...
E a solidão dos dias frios e chuvosos
sempre será compartilhada
por mãos trêmulas
que bordam agasalhos
suspiram saudades...
MÁRIO MASSARI
"Achados e guardados" - 2002
Tela: "Mulher costura na frente de sua casa", de Claude Joseph Bail (1862-1921)
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
Alguns motivos para eu não partir nesta noite
Quem abrigará os meus sonhos
Adormecidos sob os prazeres
De uma maravilha chamada vida?
Quem receberá os exuberantes raios de sol
Que, ao amanhecer, despencarão sobre
A sacada numa cumplicidade antiga?
Quem provará o café quentinho
E o pão coberto com açúcar
que a minha mãe prepara nas vespertinas visitas?
Quem mostrará à minha filha
As possibilidades de alternativas trilhas?
Oh, pretensioso pai que sobre nuvens
Caminha!
Se eu partir, entretanto,
Num irrefreável e cósmico desengano
O amanhã será improvável
Ou as paredes do tempo
Receberão novas tintas?
Adormecidos sob os prazeres
De uma maravilha chamada vida?
Quem receberá os exuberantes raios de sol
Que, ao amanhecer, despencarão sobre
A sacada numa cumplicidade antiga?
Quem provará o café quentinho
E o pão coberto com açúcar
que a minha mãe prepara nas vespertinas visitas?
Quem mostrará à minha filha
As possibilidades de alternativas trilhas?
Oh, pretensioso pai que sobre nuvens
Caminha!
Se eu partir, entretanto,
Num irrefreável e cósmico desengano
O amanhã será improvável
Ou as paredes do tempo
Receberão novas tintas?
sábado, 20 de agosto de 2011
Borboletas no aquário
I
Mantinha borboletas
No aquário.
Sentava-se próximo
Com as mãos no rosto
Espalmadas
E tecia um fio de tempo
(Só seu)
A admirar, através da transparência
Das cortinas,
Um balé de cores
Que reverberavam, reverberavam...
II
Mantinha borboletas
No aquário
O silêncio a balbuciar-lhe
Regozijos de naufrágios...
Mas, quando as mãos insensíveis
Não pressentiram mais as cores
E a visão turva admitiu
Guelras na fala
Ao fio partido
Gritou
Ah, gritou!
Suspensos ao eco
Todos os mares não desbravados!
III
No aquário
O silêncio a balbuciar-lhe
Regozijos de naufrágios...
Mas, quando as mãos insensíveis
Não pressentiram mais as cores
E a visão turva admitiu
Guelras na fala
Ao fio partido
Gritou
Ah, gritou!
Suspensos ao eco
Todos os mares não desbravados!
III
Lambia os alicerces do passado
Quando fez o que, há tempos, cogitava:
- Mirou o ponto luminoso no teto de tudo
- Guardou os álbuns de todas as renúncias
Na gaveta do armário
- Fez par com a vida, num beijo inusitado
- E, finalmente, convicto, quebrou o aquário.
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